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EMPREENDEDORISMO, NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS, GESTÃO DE PESSOAS E TECNOLOGIA SÃO OS TEMAS MAIS PRESENTES NO COTIDIANO DO JOVEM ADMINISTRADOR BRASILEIRO

O mercado de trabalho é hoje composto por pessoas denominadas imigrantes ou nativas digitais. Uma boa parte delas acompanhou a evolução tecnológica, especialmente impulsionada com o estabelecimento da internet para uso público em meados da década de 1990. Outras nasceram em um período em que o e-mail e a World Wide Web – o conhecido www – já haviam se tornado ferramentas comuns para uma grande parcela da população.

Entender esse contexto é importante para fazer uma análise mais aprofundada de um determinado grupo de profissionais. Nesse caso, os jovens Administradores brasileiros.

Embora seja um assunto abordado exaustivamente nos últimos anos, o conceito criado para definir as recentes gerações ajuda a esclarecer como os profissionais com menos de 40 anos se comportam em suas áreas de trabalho. Não seria diferente na Administração. A maneira como se relacionam, como lidam com os problemas pessoais, a forma como executam tarefas e estabelecem metas reflete, em parte, o momento histórico no qual estavam inseridos quando nasceram, cresceram, estudaram e iniciaram as suas carreiras.

“Antes de falarmos especificamente do profissional, precisamos entender um pouco da conjuntura atual. A partir da década de 1990, a internet, como tecnologia emergente, veio modificar profundamente as relações sociais e de emprego. Eu diria que a internet poderia até ser considerada como uma grande revolução tecnológica”, diz o Adm. André Uebe, professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IF Fluminense) e Institutos Superiores de Ensino do CENSA.

O avanço rápido da tecnologia transformou a sociedade e, consequentemente, a dinâmica das organizações. Hoje em dia, profissionais de três grupos com características bem distintas, popularmente conhecidos por geração X, Y e Z, interagem dentro das empresas, tornando o ambiente coorporativo e o trabalho do Administrador um tanto complexo.

AS TRÊS GERAÇÕES

Segundo o Adm. André Uebe, a geração X é composta exclusivamente por imigrantes digitais. Normalmente, são mais apegados à carreira e não gostam de ser gerenciados nos detalhes. A Y é formada por pessoas que parecem estar mais focadas no resultado e abertas a receber orientações. Já aquelas pertences à geração Z não conheceram o mundo sem a internet e cresceram em um planeta mais globalizado, sem fronteiras.

“A geração X quer estabilidade, pois o futuro dela sempre foi incerto. Há um apego à profissão. A geração Y quer o dinheiro e o sucesso. Eles ouviram muito que os empregos estavam acabando e nada era para sempre. A geração Z é a da sinceridade pessoal. Eles são do terceiro milênio. O que manda agora é ser feliz e o trabalho é mais um elemento para encontrar a satisfação pessoal. É uma geração criativa, multitarefa e eles prometem muito, mas caem no risco de se tornar egocêntricos”, declara o professor.

Conforme explica Uebe, todas essas diferenças tornam o ambiente organizacional mais complicado de resolver e gerenciar, se comparado à primeira metade da década de 1990. E esse é o cenário em que o jovem Administrador está inserido e, ainda, precisa desempenhar suas funções atualmente.

O ADMINISTRADOR CONTEMPORÂNEO

O Adm. Arapuan Medeiros da Motta Netto, reitor do Centro Universitário Augusto Motta, vê com bons olhos os novos profissionais de Administração. O motivo é por serem capazes de interpretar e encontrar, por meio de um ponto de vista globalizado, a forma como vão atuar nas organizações, diante dos inúmeros recursos e oportunidades oferecidas no mundo contemporâneo.

“Vejo o mercado exigindo uma nova ordem, novos modelos, quebra de paradigmas. Os Administradores estão no coração de todo esse processo, focando em novas estratégias de marketing, negócios e, principalmente, pensando nas novas tendências mundiais ligadas ao estilo de vida. Tudo isso ainda propulsiona novos modelos políticos”, afirma o reitor.

Tal panorama traz também desafios para os jovens Administradores. Um deles é se esforçar mais para satisfazer às necessidades dos consumidores, uma vez que a competitividade é cada vez maior. O outro é dar prioridade para o desenvolvimento sustentável. De acordo com Arapuan, “não podemos mais bancar nenhum tipo de irresponsabilidade em relação a um crescimento a qualquer custo, pois uma hora essa conta chega e ela custa caro”.

O profissional é instigado, mais do que nunca, a se tornar um constante aprendiz e buscar por conhecimentos além daqueles aprendidos nas instituições de ensino, pois já existe uma modificação referente ao modelo mais verticalizado e homogêneo seguidos por Administradores antigos.

“Na minha concepção, essa diferença não está relacionada à idade cronológica, mas sim à mudança de paradigma. Admiro muito gestores que foram referências fortes em gerações muito anteriores à minha, porque desbravaram e pensaram a frente de seus tempos. Mas a internet transformou o hoje e redimensionou os caminhos futuros”, acrescenta o reitor.

A ADMINISTRAÇÃO PARA MUDAR O MUNDO

Bruno Perin é um jovem Administrador, empreendedor, consultor e palestrante. Ainda escreveu dois livros – “A revolução das startups” e “Os 15 maiores erros de novos empreendedores”. Ele escolheu investir na carreira após perceber o leque de possibilidades oferecidas pela área. Hoje, a opinião sobre a profissão é outra.

“O que me apaixona na Administração no momento é poder mudar o mundo através dos negócios. Isso me fascina. E, claro, puxando mais para o empreendedorismo. Acredito que, atualmente, exista uma necessidade emergencial de reinventar a Administração. Hoje, temos na maioria das universidades um ensino de gestão de empresa linear, tradicional e pesado. Mas as empresas estão buscando agilidade”, diz o consultor.

Existe aí um problema, pois o conteúdo oferecido pelas instituições de ensino não tem mais a ver com a realidade das organizações. Como empreendedor, Perin fala que cabe ao novo profissional entender a essência da Administração, durante as aulas acadêmicas, e encontrar outros meios para compreender o universo das empresas e descobrir quais são suas necessidades. “Essa é uma preocupação minha. Hoje o Administrador sai da universidade e pouco consegue suprir a demanda do mercado”, completa.

E vai além. Para ele, é possível, por meio dos estímulos corretos e com uma boa organização das ideias, usar os conceitos da Administração para executar projetos com capacidade de impactar significativamente o planeta.

Vislumbro, especialmente para o Brasil, uma Administração mais orientada em resultados, sem abrir mão da grande base que deve nortear a todos: a sustentabilidade da profissão e dos negócios
Arapuan Medeiros

O FUTURO DAS GERAÇÕES DE ADMINISTRADORES

A fala e o pensamento de Perin deverão ser cada vez mais compartilhados pelos jovens Administradores nos próximos anos. Como reitor, Arapuan consegue enxergar futuras mudanças nas instituições de ensino, pois estarão focadas em ressaltar os conceitos de uma Administração ética e fundamentada em bons valores. Ele acredita, ainda, que os alunos terão mais oportunidades de entrar em contato com o empreendedorismo durante a formação e, assim, estar em sincronia com a indústria e o mercado.

“Vislumbro, especialmente para o Brasil, uma Administração mais orientada em resultados, sem abrir mão da grande base que deve nortear a todos: a sustentabilidade da profissão e dos negócios”, declara o reitor.

Segundo Uebe, a crise vivida pelo Brasil nos últimos anos tem levado a população a refletir sobre os padrões sociais, políticos e econômicos atuais. Tal comportamento irá impactar no trabalho dos Administradores nas próximas décadas. “

O desafio do profissional da Administração será, principalmente, conseguir fazer o bom uso das tecnologias e novos modelos de gestão, mais pautados nas questões éticas e morais, para ir ao encontro do que o país e o mundo estão demandando”, conclui o professor.

2017-08-08T10:49:50+00:00 julho 5th, 2017|Categories: ACADÊMICO, AMINISTRAÇÃO, COTIDIANO, INOVAÇÃO|Tags: |